Vida

14:41 0 Comments

Liberta-me ó composto barulho no perfeito rolar de ondas do mar
mulher que passas pela manhã a cantar
pássaros que chilream, Homens que alegria semeiam
cheiro da chuva embutido na terra, e tu, ó silêncio no cimo da serra

Liberta-me ó trago do vinho vermelho na soalheira Sexta-feira
e palrares cantados da alma parida, plena, leve, e livre ainda
e tu gente que não passas apressada e trazes caminho aos teus pés

Liberta-me ó fado vadio em ruas do Bairro-Alto
aurora, de novo ver-te nascer
e somente crescer, liberta-me.

Prende-me o relógio abraçado a um tempo vestido de regras sem sentimento
despertar na rotina enrugada, e o caminho, o mesmo caminho
vozes metódicas, hipócritas, prendem-me a mente

A ternura, esta em mim perdura...

Entendo quando cuspias as sombras e me dizias
que a vida não carrega tristezas ou alegrias
que libertaria quando a vida me libertasse
descansaria quando o corpo de mim cansaçe.

Não te disse o dia que a vida me fez livre
e ninguém disse que a vida tem de libertar.




Cátia castro

0 comentários:

A carta que DEUS escreveu ao mundo

12:02 0 Comments

Eu sou tua alma encostada na encosta por ti tatuada
amanhecer no nascer sereno da tua nudez
sou gemido dócil de vento em rua de timidez
sou água calma de viagem entre pedra de calçada
sou tuas complexas células de seres resilientes
de suspiros e soluços de vozes vazias no falar da terra
sou o cantar calado, sol posto escondido na serra
a verdade com que mentes ao Amor quando não me sentes
caminho a teu lado, coxo e tropeço sobre um ventre iníquo
cambaleio de passo apressado desde a criação ao princípio
não posso meu dedo mover desde que pari a te ver nascer
carrego aos ombros o caminho despido na despedida ao precipício
despe-te e despede-te desse vestido de vaidoso queixume
viola cheiros de violênçia impregnados em teus braços
volta a ser criança que ri e suga sem fim os cantos de meus passos
mantém aceso lume da alma ao rodeio de negrume.

Lembras-te do cheiro no vale semeado? Do silêncio de vozes na terra sulcado?

Resguarda meu feito na memória para voltar e principiar o fim de história.

Carrego-te no colo cansado de dedos - tudo o que oiço - lamúrias e medos...

Haja no amor um bem profundo ò mundo!



De Cátia Castro

0 comentários: