" Quero "

04:39 0 Comments

Quero, podes deixá-la acesa?
quero despir os teus medos
quero, mas essa incerteza
quero, mas só te apanho os dedos
quero uma mão cheia de tudo
quero outra cheia de nada
quero, mas finjo ser mudo
quero, dá-te só nesta madrugada
quero ouvir-te, nosso gemido
quero e quero-te, porque não grito?

Quero ser o que não foi esquecido
quero um tanto e não tão pouco
quero de sol cobrir a sombra pousada
quero alcançar-te espírito de alma roubada
quero magia escondida na vida vazia
quero, mas tudo em ti é poesia

Quero, mas um dia não quis
quero que quisesses não me ver infeliz
quero resistir-te firme como baobá
quero amar-te mas tu não estás cá.


Cátia Castro

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Vida

14:41 0 Comments

Liberta-me ó composto barulho no perfeito rolar de ondas do mar
mulher que passas pela manhã a cantar
pássaros que chilream, Homens que alegria semeiam
cheiro da chuva embutido na terra, e tu, ó silêncio no cimo da serra

Liberta-me ó trago do vinho vermelho na soalheira Sexta-feira
e palrares cantados da alma parida, plena, leve, e livre ainda
e tu gente que não passas apressada e trazes caminho aos teus pés

Liberta-me ó fado vadio em ruas do Bairro-Alto
aurora, de novo ver-te nascer
e somente crescer, liberta-me.

Prende-me o relógio abraçado a um tempo vestido de regras sem sentimento
despertar na rotina enrugada, e o caminho, o mesmo caminho
vozes metódicas, hipócritas, prendem-me a mente

A ternura, esta em mim perdura...

Entendo quando cuspias as sombras e me dizias
que a vida não carrega tristezas ou alegrias
que libertaria quando a vida me libertasse
descansaria quando o corpo de mim cansaçe.

Não te disse o dia que a vida me fez livre
e ninguém disse que a vida tem de libertar.




Cátia castro

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A carta que DEUS escreveu ao mundo

12:02 0 Comments

Eu sou tua alma encostada na encosta por ti tatuada
amanhecer no nascer sereno da tua nudez
sou gemido dócil de vento em rua de timidez
sou água calma de viagem entre pedra de calçada
sou tuas complexas células de seres resilientes
de suspiros e soluços de vozes vazias no falar da terra
sou o cantar calado, sol posto escondido na serra
a verdade com que mentes ao Amor quando não me sentes
caminho a teu lado, coxo e tropeço sobre um ventre iníquo
cambaleio de passo apressado desde a criação ao princípio
não posso meu dedo mover desde que pari a te ver nascer
carrego aos ombros o caminho despido na despedida ao precipício
despe-te e despede-te desse vestido de vaidoso queixume
viola cheiros de violênçia impregnados em teus braços
volta a ser criança que ri e suga sem fim os cantos de meus passos
mantém aceso lume da alma ao rodeio de negrume.

Lembras-te do cheiro no vale semeado? Do silêncio de vozes na terra sulcado?

Resguarda meu feito na memória para voltar e principiar o fim de história.

Carrego-te no colo cansado de dedos - tudo o que oiço - lamúrias e medos...

Haja no amor um bem profundo ò mundo!



De Cátia Castro

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DESDE QUE FOSTE

16:37 0 Comments

Foste! E desde que te foste ela descompôs-se desencontrada e perdida dentro desta porta fechada.
Assombrado de valor vazio tão cheio de nada, contento-me descontente no olhar deste quadrado de olhos postos à tua jovial face.
Rugas românticas, as levo para duro chão.
Difícil aceitar e pedir perdão carregando – ou não – a razão.
Este amor que dói, corrói todos os sentidos que não doentes.
Despertas-me a saudosa alma que avivo vestida de petúnias viçosas.
Lembro-te aqui; tu nunca aqui estiveste, apenas a minha carcaça velha deixaste.
Cortadas as cordas desfiadas no colo destes anos passados e eu neste parado compasso.
Queria aqui ter-te por mais uma vez mas contei ao céu mês a mês visitas que não te vi.
Trémulo corpo cravado neste pedaço de quarto de paredes falantes.
Deixaste-me! E desde que me deixaste que meu sangue dança desencontrado
no jardim amargo com cheiro a saudade.
Ah se minhas asas andassem, minhas pernas voassem...
Dar-te-ia como por magia um beijo com sabor de amor.
Dir-te-ia sem rancôr que te carrego nas veias até que me fôr.
Foste! Mas porque te foste, peço-te um último sorriso neste meu velho rosto.
Perdoa-me este peito, que para dizer AMO-TE não tem muito jeito.
Pergunto a estrelas desta noite fria
Será que vens ver-me um dia?



De Cátia Castro

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HOMEM

13:00 0 Comments

Os Homens falam sobre como voar
para roubar liberdade livremente
com ar superior num Estado demente
cansados do cansaço de roubar a trabalhar.

Os Homens falam de ir à lua
e deixam a Terra em negrume decomposto
ter um fato é de facto um posto
de foder vida alheia que não a sua.

Os Homens falam de preservação patrimonial
com perfuradores responsáveis à guerra
domadores resolvidos a resgatar  terra
sem respeito a qualquer leito ou animal.

Os Homens falam que se deve sonhar
libertam-te a realidade deprimente
aprisionam-te com tecnologia para te calar
e fazem-te crer que isso é um Ser inteligente.

Eu disse-lhes um dia, que na mente trago cordas vazias
em que aperto sonhos, estrangulo memórias e histórias melindrosas
 é certo, carregá-las-ei até fim de meus dias
todas elas são minhas e não vossas.

Homens de mãos baixas e navios vazios...



De Cátia castro

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A CARTA DE UM PAI ABANDONADO PARA UM FILHO

06:46 1 Comments

Deitado nesta cama, esquecido sem razão ou motivo
levei estes anos como um castigo, resumido entre memórias
As paredes escutaram meu silêncio perdido nos anos vazios de histórias
Mas já não me importa, não agora que estou ainda vivo.

Ofereceste-me com pesar a todos estes conhecidos outrora desconhecidos
com piedade, sem lágrimas enganadas, dizias que não podias de mim cuidar
e quando estas pernas cansadas não podiam andar e os braços te abraçar
ofereceste-me esta cama, esta gente e todos os anos perdidos.

A memória, esta bactéria não me a tirou, ainda tenho o meu pensar
Lembras-te quando caíste e tive que nas minhas costas te carregar?
Tenho vivo aquele vaidoso dia despido em que aqui me deixaste
esperei dias, semanas, meses, anos mas tu ainda não voltaste

Preparo-me em harmonia anormal para participar do particípio passado
sem antes te dizer que destes eternos 32 anos sem te ver
levo comigo aquela nossa imagem de felicidade no rosto estampado
e os bolsos cheios deste amor que só entende quem um dia entender.

Perdoo-te filho!
Perdoo-te esta amargura recôndita no meu peito
O meu amor não arrancaste de mim, acompanha-me ao meu fim.
Perdoa-me se para dizer que te amo, eu não tenho muito jeito.




De Cátia Castro

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A CARTA QUE ESCREVERIAS E ENVIARIAS A UM FILHO QUE NÃO VÊS (VERSÃO PAI QUE ABANDONA)

05:03 0 Comments

Vi-te no berço em berro estonteante, com lágrimas alegres na face
Dia que foste o fim do almejar que comigo carregava na cabeça
Aquele acreditar que minha vida podia mudar, melhorar, se a ti te amasse
Queria ensinar-te, acompanhar-te e mandar embora a minha sentença.


Fui embora naquela ourora com o saco de tristeza atado ao pescoço, sem dizer adeus
Pássaros de tristeza puseram ovos no meu coração, bem sabe Deus
Dei-te um beijo breve e sorri-te não percebesses tu o meu triste sentir
Por tuas lágrimas não saber secar, por já nem saber a saudade daquele teu rir.


Não te vou explicar, não te peço um perdoar nem que tentes perceber
Com o mesmo saco atado ao pescoço sem ti eu vou morrer
Dá-me por favor esse silêncio se estiveres a ler estas pesadas palavras
Com coração só de filho recorda o tempo que me amavas.


Hoje, carregado de negrume te quis escrever
Não deixes a tristeza te pesar meu filho
Não houve dia que meu querer, te fosse esquecer
Como aranha a tecer, eu teci no destino meu próprio trilho.


Perdoa-me somente dentro de ti mesmo que com violência
Teu pai entregou a vida à tão conhecida e pouco entendida decadência
Perdoa-me não ter lido aquele teu poema e não te ver a casar
Perdoa-me estar-te a dar, só hoje, em papel, meu estranho jeito de amar.





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QUERO O QUE NÃO VEM NA PELE

12:55 0 Comments

Quero o sabor a manhã ensolarada de nevoeiro
apimentado de flores sem tom nem odor
e a sombra do anjo fiel e guerreiro
que me carrega nos caminhos por onde fôr.

Quero esse cheiro e essa côr que trazes animada
nessas águas que deslizam entre passeios
quero tudo mas também quero nada
e esse nada em saco cheio de devaneios.

Imaginar-te-ei sempre aqui
desfiando todo o infinito caminho
para te encostares a mim sem jamais um fim
com a felicidade de quem ficou por mais um bocadinho..

Fecho portas ao suor, janelas ás lágrimas e empurro teus dedos
mato os arrepios e o calor encostado de verões bravios
empurro-te em mar alto na garrafa onde cabem todos os medos
pronta a aceitar todos esses desatinados desafios.

Ah como quero sentir o mel do fingido fel
o arrepio de fel do doce mel
Ter aquilo que ninguém quer
afinal só quero aquilo que não vem na pele.


De Cátia Castro







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HOJE

17:08 0 Comments

Hoje estou assim
não estou assim assim
simplesmente estou aqui
sem princípio nem fim
afogada em escorregadios pensamentos.
E porque hoje estou assim
desprendo-me deste chão
a pensar o que tenho preso a mim.
Fervilho-me no caminho deste trilho
sem render o rico relaxo.
Presumi que o tempo desfeito
iria voltar um pouco sem jeito
que o sol iria desfilar no seu falar
mas pois, foi outrora
que realmente olhei o suave cantar da aurora.

Hoje estou assim
não estou triste
também não estou contente
estou assim como naquele dia que te riste
com o sorriso alegre de quem mente.
Ora penso naquele caminho de casa
no cheiro da calçada
na gente que passa sem pressa
ora concentro o pensamento atento
à discórdia do velejar sem isso ajudar
a prosseguir com alento.
Sentada deste lado da ponte
já não quero aquele lado
 Ou quero?
Seja lançado o dado.

E porque hoje estou assim
não me contraries
responde-me só sim.

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MADRUGAS

20:20 0 Comments

De repente pareceu-me ouvir nada e desse nada resultou um pensamento, se é que lhe posso chamar pensamento, porque é mais como um chamado para ir dormir.
As pálpebras pesam-me nos olhos e o corpo grita bem alto ao cérebro para dormir.
Por vezes gosto de deambular por entre esta embriaguez de sono, perder-me nos meus tão recônditos planos e enganos. São estas horas que comem minutos e segundos do meu tão profundo sono, são estes tempos que matam a normal vontade de descansar.
Já peço favores a ideias, só porque a preguiça fala um pouco para os meus pés, que teimam em não decolar deste chão e ganhar vôo para quem me chama, a minha cama.
Ora coço um olho, ora outro, e deixo deslizar mais um pensamentos aos meus dedos.
Tenho fome, não sei se é fome mas é vontade de mastigar até que canse o maxilar e talvez estes dedos de escrever sem saber o que dizer.Levanto-me e rebusco no armário algo que que o paladar se apaixone, mas, hum, não me parece,
sinceramente; de volta ao sofá, assim, bloqueada, mas serena, com vontade de ir para a cama dormir.

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NÓS

20:03 0 Comments

Consigo ver-te deste sofá, ainda que estejas de costas consigo ver a tua expressão de sobrancelhas semi-serradas,talvez por estares colado nesse ecran transformado em campo de futebol.
Revejo-me no teu intimo consumindo a tua indepêndencia à minha dependência.
Podemos até ser loucos e agarrarmo-nos aqui e agora; só para fugirmos juntos desta sanidade inconformada e um pouco deformada a que nos encostámos.
Corremos desenfreados na pele dos nossos pecados adoçicando cada pedaço onde viajarem nossos lábios.
Estonteia-me com esse teu ar carregado de um gosto salgado e segura a minha pele na ponta da tua imaginação e enche os teus pulmões de ar quando eu te apertar na segurança do meu inseguro colo.
Anda.
Estás aqui.
Quero dizer-te!
Estou presa à tua liberdade saudável
que me faz amar-te de forma tão espontânea e livre
esse teu lado tão perfeito e amável
o maior tesouro que algum dia tive.
O teu colo tem sido enorme aos meus pedidos
e na serenidade do teu silêncio
vejo os meus medos despidos
envolvidos no nosso amor imenso.



De Cátia Castro

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IMAGEM

17:22 0 Comments

Cansei-me com as tuas pernas e delas me cansei
de cair agarrada aos teus braços cansados
e porque em ti minhas mãos fixei
temi e tremi por entre essa rua de ouvidos calados.

Corri com a tua boca macia e perdida
num beco de luz feiticeira
em argolas de roda vida
em papeis sem eira nem beira.

Rebusquei o silêncio da voz de ouro
perdido nos confins da terra
corri em busca de um tesouro
que não era apenas mais que guerra.

Era prata esse barulho repenicado
trémulo em voz de agonia
irmão de um pensamento rasgado
com a face de uma bela  melodia.

Queria poder abrir e dizer estás aqui
mas neste barulho calado
bateste e eu não ouvi
porque  aqui estamos..lado a lado.

De Cátia castro

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LOUCURA CONSCIENTE

11:41 0 Comments

Estive lá...
Perdida no meio de um vale de sombras
sem saber o caminho de volta para cá
com olheiras e dores nas têmporas
com medo de não ser capaz.

Estive lá...
de alma ensaguentada, perdida
como se os olhos estivessem vendados
jã não queria saber da vida
e todos meus passos eram falhados.

sem saber que estava naquele lado
o lugar de moribundos envaidecidos
de espírito morto e corpo cansado
e pela sociedade despedidos.
Estive lá...

Chamam força e coragem
o ter saído desse lado decidida
a remar em direção a esta margem;
Eu sei que foi por amar a vida.

Chamaram-me de guerreira
mas eu simplesmente sei
que de uma forma estranha à minha maneira
simplesmente asumi que errei.

MEA CULPA!

Estive lá, hoje estou cá
estar cá não é muito diferente
é simplesmente consciente
e aos poucos e poucos
vi que a vida é simplesmente dos loucos.



De Cátia Castro


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ÁRVORE

19:09 1 Comments

Com vestido de chuva e pés lamaçentos
ali está ela firme e inerte num frio que se sucede
de trovoadas e ventos que rosnam e por ali passam
apagando todo o esplendor verde de vida para a  deixarem despida.
Calor  que te seca toda a tua pele
que te matas por uma gota de água
parece- te não existir mel, só fel, e ainda assim
todos ouves dizer que não sentes mágoa.
Naquela manhã sentiste dor num dos teus braços
a dor abraçou-te o outro e ainda outro
não conseguiste mover o teu tronco
mas percebeste que estavas feita em pedaços.
A tua plumagem sentia-se amedrontada e pensativa
querias fugir, mas sabias não valer a pena a tentativa,
pois a vida  não te deu pernas, só braços , e esses foram arrancados.
Foram semanas a lamentar a perda, e quando acordas do teu choro em pranto
viste que à vida a querias tanto e logo te manteste firme.
Pensaste para ti, eu nunca desisti
anos após anos de sol e chuva, calor e frio
me mantive forte e firme como em desafio
e aqui ficarei, sem me mover, mas firme.
Era fim de tarde, nem calor nem frio
quando seu tronco cai por completo,
era como dejeto em forma de ser-humano
que tantas vezes por ano as matam a fio.
Assim foi ela fazer de estante de decoração por engano.


De Cátia Castro

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MAMIPAPI

16:10 2 Comments

Quero olhar-vos e sentir-vos
naquela imensidão do passado
que o mantemos tão acordado
e que nos faz sentir tão vivos.

Quero beijar-vos com os lábios de criança
e abraçar-vos no cimo do vosso colo quente
com os olhos cheios de esperança
e sentir aquilo que só uma criança sente.

Quero-vos aqui tão perto de mim
que não existem palavras para descrever
esta saudade que não tem fim
e que finjo não a ter.

Ah, essa saudade de quando voltavas para casa
aquela saudade de quando me contavas histórias
esta saudade que não passa
que só ficaram memórias.

Só vocês me limparam lágrimas que corriam
de tantos e tantos erros,
lágrimas que só vocês as viam
e me ajudavam a superar aqueles medos.

Riam da mais estúpida graçinha que fazia,
liam e orgulhavam-se da poesia mais feia...
Era tão feliz e não sabia,
agora sei! Depois de tanta rasteira.

Não existem rimas que possam explicar
Nem palavras que possam dizer o quanto vos vou sempre amar.
Mesmo quando me dizes aquela palavra que tanto dói,
para mim PAI, serás sempre o meu Super-Herói.
Mesmo quando te enervas com a minha mente sonhadora
para mim MÂE,  hás-de ser sempre a minha Vencedora.

Amo-vos por cima de todo este céu distante.


 Cátia  De Castro

.

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MENTIRA

16:47 2 Comments


Ficou a vida por dizer
Em cantos do mundo cansados de a escutar
Em breves beijos que não ousam falar
Em soluços tácitos na forma de viver.

O silêncio desfez-se em mil gargalhadas falhadas
que trazias em tua boca grande e fechada
e com regozijo te encostaste além do esperado;
oh sim!
Tu que parecias assim de espírito atormentado
revelas-te  em composto sublime
atrelado a uma faixa dourada
 de uma criatura engraçada
que passa no meio do filme.
Libertas-me da intenção amargurada
como a que me mostraste naquela viagem
de um amarelo lírio espantado
e de  tão falsa e enganadora imagem.
Trépido em forma de triste orgulho
despeitas-me de peito aberto
julgando o incerto pelo certo
e com esse silêncio em forma de barulho
surges e ergues a espada já cansada
das imensas mãos envelhecidas.
Vieste porquê e para quê envaidecer a tua imagem
mais que assombrada por caminhos de pedra?



De Cátia Castro


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CASTIGO

13:50 3 Comments

Ali embrulhada ente memórias, declaro guerra ao tempo,
a cheirar alento em todo o desalento no meio de histórias.
Pedi aos pássaros para cantarem, mas não os ouvi;
pedi para os ver, mas também não os vi;
Entre lágrimas confusas ali me vi eu
entre borbotos e a cama de pedra
com pensamentos de merda, ali estava eu;

Amar o sol ou a chuva intensamente numa pequena hora
e de seguida amar a solidão que te devora:
A inventar  alegria entre vinte e três horas de agonia
escrevendo horas a fio para matar o vazio
que de seguida te consome como uma coruja que não dorme
e ainda assim tem asas para voar.

Quatro paredes outrora brancas
envaidecidas com buracos e escrituras
 de almas entre horas e horas de loucuras e
tortura
e a ser franca, a minha doçura não a arrancas.
O metálico envolvendo a decoração
era agora ferrugem com odor impregnado
onde muitas perderam a razão
preferindo deixar o corpo abandonado.

A pia, irmã do chuveiro, vivem juntos
vivem vivos como defuntos
 assim parecem aqueles rostos sem luz
opacos, ora com tristeza, ora com loucura
a gritar à noite para correr e ao dia para voar
sedenta de palavras de um amigo.

A sorte correu sem aviso prévio
para todas aquelas almas que lutaram com o tempo
para todas as que não mais quiseram sofrer.
Cansadas de lutar contra si próprias
decidiram parar de viver a sobreviver.

Como um sentimento desconfiado e antigo
vos digo:

- AQUILO É O QUE CHAMAM DE CASTIGO!




De Cátia Castro



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TRAPALHADA

15:33 5 Comments

Hoje estou assim sem saber como,
como não sei porque estou assim
deixo- me ir até o dia ter fim
porque hoje estou assim.
Aqueles dias que queres e não sabes o quê
que sabes o quê mas não sabes quanto.
Ficas a pensar em tudo e em nada 
e perguntas ao nada porque não tem nada
se antes tudo tinha.
Hoje estou assim, a um passo do princípio
e a outro do fim, com perguntas insólitas
se o fim tem princípio ou se o princípio
realmente tem fim.
Abandono-me hoje assim, 
como um princípio ou um fim
a pensar no lençol de setim
que está na gaveta e devia estar aqui.

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KARMA

16:06 1 Comments

Levantado e esmagando-me na sua inoçência
com laços e predicados de ofensa
conduz-me no silêncio do grito enforcado
para nada mais que um significado.

Puderas tu ó gente em forma de manhã
vaguear em ondas de te embebedar
para comer caroços de maçã
ou com as minhas pernas caminhar.

Sulcada nessa madrugada de pássaro cansado
ignoro os teus sentidos que a mim foram devolvidos
para caminharem lado a lado
esses que adormecidos, tão logo foram esquecidos.

Devolvi-te a intriga intrigada
na alvorada daquela madrugada
e o silêncio do barulho
que me tinhas oferecido com orgulho.


De Cátia Castro

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CÍRCULO

13:01 6 Comments

Enraízada à dependência da tua presença
ora me ato ou desato
deste nó no meu sapato
que já abala a deçência.

Grita muda de pele nua
com armas cravadas ao peito
como um predicado sem sujeito
em terra outrora sua mas já não sua.

 Silênçio barulhento vestido de branco
como paredes caiadas de espanto
neste imperfeito encaixe deslumbrante
que me consumo de forma incessante.

Dominadora do meu domínio
em terra estranha de longe fascínio
corrompida nas entranhas estranhas de pensamentos
aterrorizantes de qualquer alento.

Gosto de saber mesmo sem saber o que quero saber.

De Cátia Castro

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GENTE

17:26 1 Comments

O barulho  constante nos seus ouvidos
 de barrigas esfomeadas
não têm amigos
correm onde estão escondidas granadas.

Querem perguntar pelos pais
mas ninguém parece responder
sofrimento desmedido
de quem não pediu para nascer.

Capitalistas desfilam de sorriso em cada nação
crianças choram por um pedaço de pão.
metade do mundo assiste inerte
a outra metade ainda se diverte.

paisagem cinzenta de cimento desfeito
solo árido sem mato
corpos putrefeitos
decisão dos  homens de fato.

Qual o futuro que estas crianças terão
se lhes é ensinado a ter uma kalashnikov na mão?
Qual o futuro que o mundo vai ter
se toda a gente vê mas ninguém quer saber?
Como fazer, se quem tem o poder
em nada nos deixa mexer?

Quem dera um dia alguém poder contar
a um teu descendente
que tudo foi para mudar e melhorar
oque um dia chamámos GENTE!


De Cátia Castro




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TROFÉU

15:29 1 Comments

De repente tudo ficou diferente
o que se pensava ser já não tinha poder
e por mais palavras que invente
só não se vê se não se quiser ver.

Era sol, agora é madrugada
tudo muda e não se pode fazer nada
tudo na vida se transforma
sê apenas forte se isso te transtorna.

Aquele lugar escondido
onde tinhas uma sombra
foi completamente destruído
e dele só existe saudade em sobra.

De repente tudo ficou diferente
o teu passo já não tinha o mesmo compasso
querias caminhar mesmo com cansaço
mas era dificil caminhar em frente.
.

A mudança é necessária e útil
o perdão ao mundo também
fica para trás o que é futil
e te acompanha o que te quer bem.

Não abraçes essa tua preocupação
a vida é mesmo assim
um dia de alegria, outro de solidão
um dia de inicio, outro de fim.

- De repente tudo ficou diferente-


De Cátia castro




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AMOR

04:47 1 Comments

Amor é..
Tanto se escreve sobre amor
explicações e desilusões
tanto se diz o que é ser amado
mas no fundo qualquer conceito é certo e errado

Amor é sentir dor sem razão aparente
é sorrir sem saber porquê
é quando alguém te pergunta o que se sente
e tu respondes que é sentir o que ninguém vê

É brilhar no meio do escuro
e saber o destino sem o conhecer
é saltar aquele alto muro
mesmo sem ele te pertencer

Amor...
Sentimento absurdo
que só quem sente o compreende
ora astuto, ora burro
quem o vive nele, a ele se prende.

Carícias e olhares
compreensão imcompreendida
e quando a ele te entregares
sentir-te-ás preenchida.

Não ha forma de recuar
nem maneira de te enganares
continua só a acreditar
para nele te encontrares.

nada é nada sem Amor
faz tudo com ele no coração
mesmo que isso te traga dor
vais saber que não foi em vão.

Catia Castro

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CAROLINA E TUTU

08:46 5 Comments




Numa terra bem distante havia uma menina que se chamava Carolina, ela tinha 3 anos e mesmo sendo tão pequenina já era muito traquina.
 Ela era muito mal disposta porque os pais tinham mudado de país e ali não tinha amigos, não sabia falar e tudo era muito feio.
Um belo dia de sol Carolina tinha ido passear com os pais e os tios ao parque e ela resolveu pregar-lhe uma partida com o seu melhor amigo Tutu, o pequeno cachorro de seus tios.
-Tutulu vamos esconder-nos deles está bem?
E lá foram os dois esconder-se atrás de uns arbustos.
Os pais quando olharam para o lado já não viram Carolina e Tutulu.
O tio Zé e a tia Mena logo comecaram a gritar:
-Tutulu anda aos donos, anda!
Tutu logo apareceu a chorar, pois viu um homem e uma mulher a levarem Carolina e não pôde fazer nada.
Enquanto os pais e tios a procuravam, Carolina chorava desesperada.
Porque me estão a levar? Eu quero os meus pais.
Deixaram Carolina numa casa vazia  com muitas árvores em volta e disseram;
- Nós vamos deixar-te aqui para tu descobrires que és feliz e tens amigos.
Carolina só chorava e dizia;
- Eu nunca mais vou ver os meus pais.. uahhh!
Já estava a anoitecer e o frio estava a deixá-la com as mãos muito frias.
Ela não parava de chorar com saudades de todos e só pedia para o seu melhor amigo tutulu voltar.
Os pais e tios de Carolina estavam muito tristes e já choravam com saudade.
Os pais e os tios de Carolina seguiam Tutulu que parecia não desistir de procurar Carolina.
Tutulu era muito rápido e logo o deixaram de ver também, Tutulu corria em busca do cheiro de Carolina.
Foi quando...
- Ão Ão Ão!
Tutu encontrou um cheiro que vinha de dentro de uma casa.
Ficou encostado à porta para  tentar ouvir alguma coisa e ouviu vozes, ouvia Carolina a chorar e alguém a gritar, ele deu a volta a casa e entrou pela janela, correu para cima do homem e mordeu-lhe, depois atirou-se às pernas da mulher e Carolina conseguiu correr para fora da casa.
Boa tutu gritava ela enquanto fugiam.
Pararam um pouco à frente e Carolina abraçou-o  e disse;
Tutu tu es o meu melhor amigo, vamos  encontrar os meu pais?
Tutu puxou-a pela mão para que continuassem a andar e quando olharam para a frente ali vinham todos a correr e a gritar, ah Carolina estás aqui, estávamos com tanto medo.
Eu nunca mais vou voltar a pregar partidas, nunca mais.
Eu amo-vos tanto!

Moral da história;
Não pregues partidas aos teus pais.

Catia Castro
diario.tk

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LIFE IS TOO SHORT TO WAIT

05:36 1 Comments

A vida é curta para esperar
que algo novo aconteça
pára de te lamentar
não esperes , busca a tua riqueza.

- Life’s too short to wait, what you blame mate -

Ser Humano que pensa ser eterno
e que se prende à triste rotina
tudo acaba, seja no céu ou no inferno
então busca a tua  sina.

Reage contra a desigualdade mundial
desconcentra-te da tua própria vida
náo te resumas a ser tão igual
a todos que nos abrem  uma ferida.

- Life’s too short to wait, what you blame mate -

Queres que o mundo te pertença
mas nem dono és do teu reino
julgas que não há quem te vença
mas tu és só um Ser Humano.

Modifica  erros passados
pensa nas gerações vindouras
que querem olhar prados
não máquinas destruidoras.
Cátia Castro

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AMIGO

13:08 2 Comments

Amigo que tantas vezes te digo
outras tantas te sigo
sabes que estou sempre contigo
mas não te persigo.

Amizade é de perdura
sem perguntar idade
para estar junto na  amargura
para sorrir na felicidade

Amizade é um silêncio composto
por dois olhares entendidos
é saber entender a expressão de um rosto
e saber que jamais seremos esquecidos

Amizade tem cheiro de mar
tem cheiro de comida
daquele tao lembrado jantar
que se teve na vida

Amigo hoje é como flor rara
que nasce em terra forte
é um remédio para aquela ferida que não sara
é saber que se tem alguém até à morte.

Amigo que tantas vezes te digo
outras tantas te sigo
sabes que estou sempre contigo
mas não te persigo.

Se tens um amigo, faz dele e de ti o vosso abrigo.


Cátia Castro





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A PRESA

16:50 4 Comments

A PRESA

Sabia estar vestida mas sentia-se nua
sua pele nao respirava, adormecida
era como presa ainda que na rua
pois trazia consigo a morte ainda que em vida.

Andava como quem passa
sem ter pernas nem asas
mas quando o vento a abraça
 mostra enseadas.

A visão era escura, tenebruosa e sombria
de passos alargados e desconcentrados
sem saber bem por onde ia
caminhava sem olhar para os lados.

Perdida no tempo, espaço e vida
perguntava-se o porquê
de tanto estar decidida
a querer o que ninguém vê.

O que outrora foi ensolarado
hoje o vê escurecido
como um livro que foi amado
e que hoje já está esquecido.

Lá foi ela...
sem ter pernas nem asas
de coxas cansadas
dar ouvidos á chamada vida.

Sem perceber, encontrou-se
ainda que pensasse estar perdida.

Catia Castro



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