DESDE QUE FOSTE

16:37 0 Comments

Foste! E desde que te foste ela descompôs-se desencontrada e perdida dentro desta porta fechada.
Assombrado de valor vazio tão cheio de nada, contento-me descontente no olhar deste quadrado de olhos postos à tua jovial face.
Rugas românticas, as levo para duro chão.
Difícil aceitar e pedir perdão carregando – ou não – a razão.
Este amor que dói, corrói todos os sentidos que não doentes.
Despertas-me a saudosa alma que avivo vestida de petúnias viçosas.
Lembro-te aqui; tu nunca aqui estiveste, apenas a minha carcaça velha deixaste.
Cortadas as cordas desfiadas no colo destes anos passados e eu neste parado compasso.
Queria aqui ter-te por mais uma vez mas contei ao céu mês a mês visitas que não te vi.
Trémulo corpo cravado neste pedaço de quarto de paredes falantes.
Deixaste-me! E desde que me deixaste que meu sangue dança desencontrado
no jardim amargo com cheiro a saudade.
Ah se minhas asas andassem, minhas pernas voassem...
Dar-te-ia como por magia um beijo com sabor de amor.
Dir-te-ia sem rancôr que te carrego nas veias até que me fôr.
Foste! Mas porque te foste, peço-te um último sorriso neste meu velho rosto.
Perdoa-me este peito, que para dizer AMO-TE não tem muito jeito.
Pergunto a estrelas desta noite fria
Será que vens ver-me um dia?



De Cátia Castro

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HOMEM

13:00 0 Comments

Os Homens falam sobre como voar
para roubar liberdade livremente
com ar superior num Estado demente
cansados do cansaço de roubar a trabalhar.

Os Homens falam de ir à lua
e deixam a Terra em negrume decomposto
ter um fato é de facto um posto
de foder vida alheia que não a sua.

Os Homens falam de preservação patrimonial
com perfuradores responsáveis à guerra
domadores resolvidos a resgatar  terra
sem respeito a qualquer leito ou animal.

Os Homens falam que se deve sonhar
libertam-te a realidade deprimente
aprisionam-te com tecnologia para te calar
e fazem-te crer que isso é um Ser inteligente.

Eu disse-lhes um dia, que na mente trago cordas vazias
em que aperto sonhos, estrangulo memórias e histórias melindrosas
 é certo, carregá-las-ei até fim de meus dias
todas elas são minhas e não vossas.

Homens de mãos baixas e navios vazios...



De Cátia castro

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A CARTA DE UM PAI ABANDONADO PARA UM FILHO

06:46 1 Comments

Deitado nesta cama, esquecido sem razão ou motivo
levei estes anos como um castigo, resumido entre memórias
As paredes escutaram meu silêncio perdido nos anos vazios de histórias
Mas já não me importa, não agora que estou ainda vivo.

Ofereceste-me com pesar a todos estes conhecidos outrora desconhecidos
com piedade, sem lágrimas enganadas, dizias que não podias de mim cuidar
e quando estas pernas cansadas não podiam andar e os braços te abraçar
ofereceste-me esta cama, esta gente e todos os anos perdidos.

A memória, esta bactéria não me a tirou, ainda tenho o meu pensar
Lembras-te quando caíste e tive que nas minhas costas te carregar?
Tenho vivo aquele vaidoso dia despido em que aqui me deixaste
esperei dias, semanas, meses, anos mas tu ainda não voltaste

Preparo-me em harmonia anormal para participar do particípio passado
sem antes te dizer que destes eternos 32 anos sem te ver
levo comigo aquela nossa imagem de felicidade no rosto estampado
e os bolsos cheios deste amor que só entende quem um dia entender.

Perdoo-te filho!
Perdoo-te esta amargura recôndita no meu peito
O meu amor não arrancaste de mim, acompanha-me ao meu fim.
Perdoa-me se para dizer que te amo, eu não tenho muito jeito.




De Cátia Castro

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A CARTA QUE ESCREVERIAS E ENVIARIAS A UM FILHO QUE NÃO VÊS (VERSÃO PAI QUE ABANDONA)

05:03 0 Comments

Vi-te no berço em berro estonteante, com lágrimas alegres na face
Dia que foste o fim do almejar que comigo carregava na cabeça
Aquele acreditar que minha vida podia mudar, melhorar, se a ti te amasse
Queria ensinar-te, acompanhar-te e mandar embora a minha sentença.


Fui embora naquela ourora com o saco de tristeza atado ao pescoço, sem dizer adeus
Pássaros de tristeza puseram ovos no meu coração, bem sabe Deus
Dei-te um beijo breve e sorri-te não percebesses tu o meu triste sentir
Por tuas lágrimas não saber secar, por já nem saber a saudade daquele teu rir.


Não te vou explicar, não te peço um perdoar nem que tentes perceber
Com o mesmo saco atado ao pescoço sem ti eu vou morrer
Dá-me por favor esse silêncio se estiveres a ler estas pesadas palavras
Com coração só de filho recorda o tempo que me amavas.


Hoje, carregado de negrume te quis escrever
Não deixes a tristeza te pesar meu filho
Não houve dia que meu querer, te fosse esquecer
Como aranha a tecer, eu teci no destino meu próprio trilho.


Perdoa-me somente dentro de ti mesmo que com violência
Teu pai entregou a vida à tão conhecida e pouco entendida decadência
Perdoa-me não ter lido aquele teu poema e não te ver a casar
Perdoa-me estar-te a dar, só hoje, em papel, meu estranho jeito de amar.





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QUERO O QUE NÃO VEM NA PELE

12:55 0 Comments

Quero o sabor a manhã ensolarada de nevoeiro
apimentado de flores sem tom nem odor
e a sombra do anjo fiel e guerreiro
que me carrega nos caminhos por onde fôr.

Quero esse cheiro e essa côr que trazes animada
nessas águas que deslizam entre passeios
quero tudo mas também quero nada
e esse nada em saco cheio de devaneios.

Imaginar-te-ei sempre aqui
desfiando todo o infinito caminho
para te encostares a mim sem jamais um fim
com a felicidade de quem ficou por mais um bocadinho..

Fecho portas ao suor, janelas ás lágrimas e empurro teus dedos
mato os arrepios e o calor encostado de verões bravios
empurro-te em mar alto na garrafa onde cabem todos os medos
pronta a aceitar todos esses desatinados desafios.

Ah como quero sentir o mel do fingido fel
o arrepio de fel do doce mel
Ter aquilo que ninguém quer
afinal só quero aquilo que não vem na pele.


De Cátia Castro







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HOJE

17:08 0 Comments

Hoje estou assim
não estou assim assim
simplesmente estou aqui
sem princípio nem fim
afogada em escorregadios pensamentos.
E porque hoje estou assim
desprendo-me deste chão
a pensar o que tenho preso a mim.
Fervilho-me no caminho deste trilho
sem render o rico relaxo.
Presumi que o tempo desfeito
iria voltar um pouco sem jeito
que o sol iria desfilar no seu falar
mas pois, foi outrora
que realmente olhei o suave cantar da aurora.

Hoje estou assim
não estou triste
também não estou contente
estou assim como naquele dia que te riste
com o sorriso alegre de quem mente.
Ora penso naquele caminho de casa
no cheiro da calçada
na gente que passa sem pressa
ora concentro o pensamento atento
à discórdia do velejar sem isso ajudar
a prosseguir com alento.
Sentada deste lado da ponte
já não quero aquele lado
 Ou quero?
Seja lançado o dado.

E porque hoje estou assim
não me contraries
responde-me só sim.

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MADRUGAS

20:20 0 Comments

De repente pareceu-me ouvir nada e desse nada resultou um pensamento, se é que lhe posso chamar pensamento, porque é mais como um chamado para ir dormir.
As pálpebras pesam-me nos olhos e o corpo grita bem alto ao cérebro para dormir.
Por vezes gosto de deambular por entre esta embriaguez de sono, perder-me nos meus tão recônditos planos e enganos. São estas horas que comem minutos e segundos do meu tão profundo sono, são estes tempos que matam a normal vontade de descansar.
Já peço favores a ideias, só porque a preguiça fala um pouco para os meus pés, que teimam em não decolar deste chão e ganhar vôo para quem me chama, a minha cama.
Ora coço um olho, ora outro, e deixo deslizar mais um pensamentos aos meus dedos.
Tenho fome, não sei se é fome mas é vontade de mastigar até que canse o maxilar e talvez estes dedos de escrever sem saber o que dizer.Levanto-me e rebusco no armário algo que que o paladar se apaixone, mas, hum, não me parece,
sinceramente; de volta ao sofá, assim, bloqueada, mas serena, com vontade de ir para a cama dormir.

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NÓS

20:03 0 Comments

Consigo ver-te deste sofá, ainda que estejas de costas consigo ver a tua expressão de sobrancelhas semi-serradas,talvez por estares colado nesse ecran transformado em campo de futebol.
Revejo-me no teu intimo consumindo a tua indepêndencia à minha dependência.
Podemos até ser loucos e agarrarmo-nos aqui e agora; só para fugirmos juntos desta sanidade inconformada e um pouco deformada a que nos encostámos.
Corremos desenfreados na pele dos nossos pecados adoçicando cada pedaço onde viajarem nossos lábios.
Estonteia-me com esse teu ar carregado de um gosto salgado e segura a minha pele na ponta da tua imaginação e enche os teus pulmões de ar quando eu te apertar na segurança do meu inseguro colo.
Anda.
Estás aqui.
Quero dizer-te!
Estou presa à tua liberdade saudável
que me faz amar-te de forma tão espontânea e livre
esse teu lado tão perfeito e amável
o maior tesouro que algum dia tive.
O teu colo tem sido enorme aos meus pedidos
e na serenidade do teu silêncio
vejo os meus medos despidos
envolvidos no nosso amor imenso.



De Cátia Castro

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IMAGEM

17:22 0 Comments

Cansei-me com as tuas pernas e delas me cansei
de cair agarrada aos teus braços cansados
e porque em ti minhas mãos fixei
temi e tremi por entre essa rua de ouvidos calados.

Corri com a tua boca macia e perdida
num beco de luz feiticeira
em argolas de roda vida
em papeis sem eira nem beira.

Rebusquei o silêncio da voz de ouro
perdido nos confins da terra
corri em busca de um tesouro
que não era apenas mais que guerra.

Era prata esse barulho repenicado
trémulo em voz de agonia
irmão de um pensamento rasgado
com a face de uma bela  melodia.

Queria poder abrir e dizer estás aqui
mas neste barulho calado
bateste e eu não ouvi
porque  aqui estamos..lado a lado.

De Cátia castro

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LOUCURA CONSCIENTE

11:41 0 Comments

Estive lá...
Perdida no meio de um vale de sombras
sem saber o caminho de volta para cá
com olheiras e dores nas têmporas
com medo de não ser capaz.

Estive lá...
de alma ensaguentada, perdida
como se os olhos estivessem vendados
jã não queria saber da vida
e todos meus passos eram falhados.

sem saber que estava naquele lado
o lugar de moribundos envaidecidos
de espírito morto e corpo cansado
e pela sociedade despedidos.
Estive lá...

Chamam força e coragem
o ter saído desse lado decidida
a remar em direção a esta margem;
Eu sei que foi por amar a vida.

Chamaram-me de guerreira
mas eu simplesmente sei
que de uma forma estranha à minha maneira
simplesmente asumi que errei.

MEA CULPA!

Estive lá, hoje estou cá
estar cá não é muito diferente
é simplesmente consciente
e aos poucos e poucos
vi que a vida é simplesmente dos loucos.



De Cátia Castro


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ÁRVORE

19:09 1 Comments

Com vestido de chuva e pés lamaçentos
ali está ela firme e inerte num frio que se sucede
de trovoadas e ventos que rosnam e por ali passam
apagando todo o esplendor verde de vida para a  deixarem despida.
Calor  que te seca toda a tua pele
que te matas por uma gota de água
parece- te não existir mel, só fel, e ainda assim
todos ouves dizer que não sentes mágoa.
Naquela manhã sentiste dor num dos teus braços
a dor abraçou-te o outro e ainda outro
não conseguiste mover o teu tronco
mas percebeste que estavas feita em pedaços.
A tua plumagem sentia-se amedrontada e pensativa
querias fugir, mas sabias não valer a pena a tentativa,
pois a vida  não te deu pernas, só braços , e esses foram arrancados.
Foram semanas a lamentar a perda, e quando acordas do teu choro em pranto
viste que à vida a querias tanto e logo te manteste firme.
Pensaste para ti, eu nunca desisti
anos após anos de sol e chuva, calor e frio
me mantive forte e firme como em desafio
e aqui ficarei, sem me mover, mas firme.
Era fim de tarde, nem calor nem frio
quando seu tronco cai por completo,
era como dejeto em forma de ser-humano
que tantas vezes por ano as matam a fio.
Assim foi ela fazer de estante de decoração por engano.


De Cátia Castro

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MAMIPAPI

16:10 2 Comments

Quero olhar-vos e sentir-vos
naquela imensidão do passado
que o mantemos tão acordado
e que nos faz sentir tão vivos.

Quero beijar-vos com os lábios de criança
e abraçar-vos no cimo do vosso colo quente
com os olhos cheios de esperança
e sentir aquilo que só uma criança sente.

Quero-vos aqui tão perto de mim
que não existem palavras para descrever
esta saudade que não tem fim
e que finjo não a ter.

Ah, essa saudade de quando voltavas para casa
aquela saudade de quando me contavas histórias
esta saudade que não passa
que só ficaram memórias.

Só vocês me limparam lágrimas que corriam
de tantos e tantos erros,
lágrimas que só vocês as viam
e me ajudavam a superar aqueles medos.

Riam da mais estúpida graçinha que fazia,
liam e orgulhavam-se da poesia mais feia...
Era tão feliz e não sabia,
agora sei! Depois de tanta rasteira.

Não existem rimas que possam explicar
Nem palavras que possam dizer o quanto vos vou sempre amar.
Mesmo quando me dizes aquela palavra que tanto dói,
para mim PAI, serás sempre o meu Super-Herói.
Mesmo quando te enervas com a minha mente sonhadora
para mim MÂE,  hás-de ser sempre a minha Vencedora.

Amo-vos por cima de todo este céu distante.


 Cátia  De Castro

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