A CARTA DE UM PAI ABANDONADO PARA UM FILHO

06:46 1 Comments

Deitado nesta cama, esquecido sem razão ou motivo
levei estes anos como um castigo, resumido entre memórias
As paredes escutaram meu silêncio perdido nos anos vazios de histórias
Mas já não me importa, não agora que estou ainda vivo.

Ofereceste-me com pesar a todos estes conhecidos outrora desconhecidos
com piedade, sem lágrimas enganadas, dizias que não podias de mim cuidar
e quando estas pernas cansadas não podiam andar e os braços te abraçar
ofereceste-me esta cama, esta gente e todos os anos perdidos.

A memória, esta bactéria não me a tirou, ainda tenho o meu pensar
Lembras-te quando caíste e tive que nas minhas costas te carregar?
Tenho vivo aquele vaidoso dia despido em que aqui me deixaste
esperei dias, semanas, meses, anos mas tu ainda não voltaste

Preparo-me em harmonia anormal para participar do particípio passado
sem antes te dizer que destes eternos 32 anos sem te ver
levo comigo aquela nossa imagem de felicidade no rosto estampado
e os bolsos cheios deste amor que só entende quem um dia entender.

Perdoo-te filho!
Perdoo-te esta amargura recôndita no meu peito
O meu amor não arrancaste de mim, acompanha-me ao meu fim.
Perdoa-me se para dizer que te amo, eu não tenho muito jeito.




De Cátia Castro

Katynha

Sempre fui apaixonada por escrita, no entanto, a vida dá voltas por vezes dificeis de contornar, assim me perdi nessas mesmas voltas e por là deixei a caneta e inspiração, mas algo me pediu para que tentasse de novo escrever, ainda que enferrujada, aqui estou eu, não de caneta na mão, mas à procura de inspiração.

1 comentário:

  1. Só quem passa por isso para saber a dor imensa que é...Nenhuma dor pode ser maior do que o desprezo de um filho amado, estando aínda em vida!

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