A CARTA DE UM PAI ABANDONADO PARA UM FILHO
Deitado nesta cama, esquecido sem razão
ou motivo
levei estes anos como um castigo,
resumido entre memórias
As paredes escutaram meu silêncio
perdido nos anos vazios de histórias
Mas já não me importa, não agora que
estou ainda vivo.
Ofereceste-me com pesar a todos estes
conhecidos outrora desconhecidos
com piedade, sem lágrimas enganadas,
dizias que não podias de mim cuidar
e quando estas pernas cansadas não
podiam andar e os braços te abraçar
ofereceste-me esta cama, esta gente e
todos os anos perdidos.
A memória, esta bactéria não me a
tirou, ainda tenho o meu pensar
Lembras-te quando caíste e tive que
nas minhas costas te carregar?
Tenho vivo aquele vaidoso dia despido
em que aqui me deixaste
esperei dias, semanas, meses, anos mas
tu ainda não voltaste
Preparo-me em harmonia anormal para
participar do particípio passado
sem antes te dizer que destes eternos
32 anos sem te ver
levo comigo aquela nossa imagem de
felicidade no rosto estampado
e os bolsos cheios deste amor que só
entende quem um dia entender.
Perdoo-te filho!
Perdoo-te esta amargura recôndita no
meu peito
O meu amor não arrancaste de mim,
acompanha-me ao meu fim.
Perdoa-me se para dizer que te amo, eu
não tenho muito jeito.
De Cátia Castro
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Só quem passa por isso para saber a dor imensa que é...Nenhuma dor pode ser maior do que o desprezo de um filho amado, estando aínda em vida!
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