DESDE QUE FOSTE

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Foste! E desde que te foste ela descompôs-se desencontrada e perdida dentro desta porta fechada.
Assombrado de valor vazio tão cheio de nada, contento-me descontente no olhar deste quadrado de olhos postos à tua jovial face.
Rugas românticas, as levo para duro chão.
Difícil aceitar e pedir perdão carregando – ou não – a razão.
Este amor que dói, corrói todos os sentidos que não doentes.
Despertas-me a saudosa alma que avivo vestida de petúnias viçosas.
Lembro-te aqui; tu nunca aqui estiveste, apenas a minha carcaça velha deixaste.
Cortadas as cordas desfiadas no colo destes anos passados e eu neste parado compasso.
Queria aqui ter-te por mais uma vez mas contei ao céu mês a mês visitas que não te vi.
Trémulo corpo cravado neste pedaço de quarto de paredes falantes.
Deixaste-me! E desde que me deixaste que meu sangue dança desencontrado
no jardim amargo com cheiro a saudade.
Ah se minhas asas andassem, minhas pernas voassem...
Dar-te-ia como por magia um beijo com sabor de amor.
Dir-te-ia sem rancôr que te carrego nas veias até que me fôr.
Foste! Mas porque te foste, peço-te um último sorriso neste meu velho rosto.
Perdoa-me este peito, que para dizer AMO-TE não tem muito jeito.
Pergunto a estrelas desta noite fria
Será que vens ver-me um dia?



De Cátia Castro

Katynha

Sempre fui apaixonada por escrita, no entanto, a vida dá voltas por vezes dificeis de contornar, assim me perdi nessas mesmas voltas e por là deixei a caneta e inspiração, mas algo me pediu para que tentasse de novo escrever, ainda que enferrujada, aqui estou eu, não de caneta na mão, mas à procura de inspiração.

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