A CARTA QUE ESCREVERIAS E ENVIARIAS A UM FILHO QUE NÃO VÊS (VERSÃO PAI QUE ABANDONA)
Vi-te no berço em berro estonteante,
com lágrimas alegres na face
Dia que foste o fim do almejar que
comigo carregava na cabeça
Aquele acreditar que minha vida podia
mudar, melhorar, se a ti te amasse
Queria ensinar-te, acompanhar-te e
mandar embora a minha sentença.
Fui embora naquela ourora com o saco de
tristeza atado ao pescoço, sem dizer adeus
Pássaros de tristeza puseram ovos no
meu coração, bem sabe Deus
Dei-te um beijo breve e sorri-te não
percebesses tu o meu triste sentir
Por tuas lágrimas não saber secar,
por já nem saber a saudade daquele teu rir.
Não te vou explicar, não te peço um
perdoar nem que tentes perceber
Com o mesmo saco atado ao pescoço sem
ti eu vou morrer
Dá-me por favor esse silêncio se
estiveres a ler estas pesadas palavras
Com coração só de filho recorda o
tempo que me amavas.
Hoje, carregado de negrume te quis
escrever
Não deixes a tristeza te pesar meu
filho
Não houve dia que meu querer, te fosse
esquecer
Como aranha a tecer, eu teci no destino
meu próprio trilho.
Perdoa-me somente dentro de ti mesmo
que com violência
Teu pai entregou a vida à tão
conhecida e pouco entendida decadência
Perdoa-me não ter lido aquele teu
poema e não te ver a casar
Perdoa-me estar-te a dar, só hoje, em
papel, meu estranho jeito de amar.
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