ÁRVORE

19:09 1 Comments

Com vestido de chuva e pés lamaçentos
ali está ela firme e inerte num frio que se sucede
de trovoadas e ventos que rosnam e por ali passam
apagando todo o esplendor verde de vida para a  deixarem despida.
Calor  que te seca toda a tua pele
que te matas por uma gota de água
parece- te não existir mel, só fel, e ainda assim
todos ouves dizer que não sentes mágoa.
Naquela manhã sentiste dor num dos teus braços
a dor abraçou-te o outro e ainda outro
não conseguiste mover o teu tronco
mas percebeste que estavas feita em pedaços.
A tua plumagem sentia-se amedrontada e pensativa
querias fugir, mas sabias não valer a pena a tentativa,
pois a vida  não te deu pernas, só braços , e esses foram arrancados.
Foram semanas a lamentar a perda, e quando acordas do teu choro em pranto
viste que à vida a querias tanto e logo te manteste firme.
Pensaste para ti, eu nunca desisti
anos após anos de sol e chuva, calor e frio
me mantive forte e firme como em desafio
e aqui ficarei, sem me mover, mas firme.
Era fim de tarde, nem calor nem frio
quando seu tronco cai por completo,
era como dejeto em forma de ser-humano
que tantas vezes por ano as matam a fio.
Assim foi ela fazer de estante de decoração por engano.


De Cátia Castro

Katynha

Sempre fui apaixonada por escrita, no entanto, a vida dá voltas por vezes dificeis de contornar, assim me perdi nessas mesmas voltas e por là deixei a caneta e inspiração, mas algo me pediu para que tentasse de novo escrever, ainda que enferrujada, aqui estou eu, não de caneta na mão, mas à procura de inspiração.

1 comentário: